DIÁRIO DIGITAL

RECORTES DE UM IGNORANTE NO PROCESSO

10/1/08

O CANGACEIRO E A ÚLTIMA FLOR DO SERTÃO

O projeto de releitura do GUERREIRO E A ÚLTIMA FLOR DA PRIMAVERA segue a todo vapor. Aqui temos agora um cordel por nome O CANGACEIRO E A ÚLTIMA FLOR DO SERTÃO e a partir dele será escrito o roteiro para o filme de mesmo nome.

O CANGACEIRO E A ÚLTIMA FLOR DO SERTÃO
Celso Martins de Souza
Colaboração de Ronaldo Trassi

CARCARÁ VOANDO BAIXO
POUSA NA CERCA DE FARPADO
A PAISAGEM É O SERTÃO
FIM DE DIA ENSOLARADO
ASSIM COMEÇA MAIS UMA HISTÓRIA
PARA NÃO SE PERDER DA MEMÓRIA
UM CABRA MUITO AFAMADO

O PÁSSARO OLHA AO FUNDO
UM CASEBRE DE SAPÊ
UMA VACA MORTA AO LADO
UMA OUTRA PRA MORRER
MANDACARU TEM NA PAISAGEM
E O SILÊNCIO DESSA IMAGEM
É ATÉ BONITO DE SE VER

MAS NESSA TERRA ARDENTE
NEM TUDO É PAZ E SOLIDÃO
DE REPENTE TUDO MUDA
PARA TUMÚLTUO E BARULHÃO
E CARCARÁ QUE NADA ENTENDEU
LEVOU UM TIRO E MORREU
ESTRIBUCHANDO ALI NO CHÃO

LA DENTRO DO CASEBRE
A FAMÍLIA SE ARREPIA
VIRAM LA FORA A POLÍCIA
CANGACEIRO E CORRERIA
BALA ZUNINDO PRA TODO LADO
É LAMPIÃO, CABRA DANADO
COM O SEU BANDO QUE FUGIA

E O BANDO ACUADO
PELA POLÍCIA ENFURECIDA
SE DIRIGE PARA O CASEBRE
PROCURANDO UMA GUARIDA
E NO CASEBRE APERTADO
TODO MUNDO ABRIGADO
PLANEJANDO UMA SAÍDA

ENTRE FACÕES E CARTUCHEIRAS
UMA “ARMA” DIFERENTE
UMA CÂMERA FOTOGRÁFICA
PRATEADA E RELUZENTE
DE UM FOTÓGRAFO VIAJANTE
QUE SE VIA NESSE INSTANTE
MISTURADO ÀQUELA GENTE

O CASEBRE VIROU FORTE
PARA O BANDO DE LAMPIÃO
E A LUTA FOI SANGRENTA
MUITOS CORPOS PELO CHÃO
QUANDO O DIA AMANHECEU
A POLICIA ENTÃO CEDEU
DESISTINDO DA INVASÃO

O DESCANSO É MERECIDO
PARA TODOS NESSA HORA
LAMPIÃO DORME PESADO
SONHA QUE ESTÁ INDO EMBORA
SONHA COM A FLOR DO SERTÃO
QUE ADOÇOU SEU CORAÇÃO
POESIA QUE ELE ADORA

A HISTÓRIA DESSA FLOR
QUE ELE OUVIU QUANDO MENINO
VEM DE LONGE, DO ORIENTE
MISTURA HONRA E DOM DIVINO
SAMURAI E CANGACEIRO
AFINAL, AMBOS GUERREIROS
CADA QUAL COM SEU DESTINO

ESSE GUERREIRO LÁ DE LONGE
DE MUITO RESPEITO E HABILIDADE
SEMPRE A SERVIÇO DO IMPERADOR
SERVIA COM TODA LEALDADE
MATAVA E MORRIA NA JORNADA
SEMPRE NO FIO DE UMA ESPADA
MAS COM HONRA E SEM MALDADE

ESSE GUERREIRO ESPECIAL
QUE LAMPIÃO UM DIA OUVIU
ERA UM SAMURAI SOLITÁRIO
DEPOIS DA MISSÃO QUE CUMPRIU
DEZ ANOS DE GUERRA SANGRENTA
SOBREVIVEU E AGORA SUSTENTA
SAUDADE DA CASA QUE PARTIU

ELE CAVALGA LENTAMENTE
CICRATRIZES E OUTRAS DORES
OLHA O CAMPO A PROCURAR
PRESENTE PARA SEUS AMORES
PENSA NA MULHER E NA FILHA
APERTA O PASSO NA TRILHA
DANTES COBERTA PELAS FLORES

MAS NEM TUDO É SOFRIMENTO
E SE FOSSE, QUEM PUDERA?
NÃO MUITO LONGE AO PÉ DO MORRO
A ÚLTIMA FLOR DA PRIMAVERA
É O PRESENTE PARA AS AMADAS
SÓ ALEGRIA NA CHEGADA
É O PRÊMIO QUE SE ESPERA

ALEGRIA E DOR ENTÃO
SE MISTURAM NESSA HORA
A ESPOSA A MORTE LEVOU
SUA FILHA, ABRAÇA E CHORA
PLANTAM A FLOR NO JARDIM
PORQUE A VIDA É ASSIM
E DORMEM OS DOIS SEM DEMORA

A NOITE, PAI E FILHA
SÃO DONOS DA MESMA VISÃO
A MÃE NASCENDO DA FLOR
A FLOR É A REENCARNAÇÃO
DA MAE E ESPOSA QUERIDA
NAQUELE CAMPO RENASCIDA
FEITA A FLOR DO SERTÃO

NA AURORA DO SERTÃO
O CASEBRE JÁ SE VIA
E O FOTÓGRAFO FORASTEIRO
DE TODOS SE DESPEDIA
AGRADECENDO A HOSPEDAGEM
E LEVANDO NA BAGAGEM
AS IMAGENS QUE COLHIA

MUITAS LEGUAS CAMINHANDO
JÁ CANSADO DA JORNADA
O FOTÓGRAFO FORASTEIRO
NECESSITA DE PARADA
MONTA A TENDA NESSA HORA
E REVELA SEM DEMORA
AS IMAGENS REGISTRADAS

MUITAS FOTOS DA BATALHA
NO MEIO DAQUELA ESCURIDÃO
REVELARAM UMA LUZ FORTE
PARECIA UM LAMPIÃO
DAÍ NASCEU ESSE APELIDO
DE VIRGULINO O DESTEMIDO
REI DO CANGAÇO NO SERTÃO

GATILHO AMARRADO COM PANO
CUSPINDO FOGO SEM PARAR
LAMPIÃO O CRIATIVO
VIRAVA MÁQUINA DE MATAR
COITADOS DOS INIMIGOS
QUE SABIAM DOS PERIGOS
NA HORA DE LHE ENFRENTAR

A POLÍCIA CHEGA À TENDA
FOTOGRAFIAS CONFISCADAS
REPRODUZIDAS EM QUANTIDADES
PELO SERTÃO SÃO ESPALHADAS
O INTENTO DEU RESULTADO
O ESCONDERIJO REVELADO
FEZ A FESTA A MACACADA

MESMO SENDO BONS DE LUTA
TODO BANDO DE LAMPIÃO
ASSIM, ACUADOS E SEM SAÍDA
TOMABARAM MUITOS PELO CHÃO
SERÁ QUE JÁ ESTAVAM CAÍDOS?
DIZEM QUE FORAM TRAÍDOS
POR UM JUDAS DO SERTÃO

MORRERAM QUASE TODOS
CABEÇAS FORAM DEGOLADAS
UMA CENA MUITO MACABRA
HORRÍVEL DE SER APRECIADA
EXPOSTAS NA ESCADARIA DA IGREJA
CHEGA AO FIM ESSA PELEJA
NESSE CORDEL ETERNIZADA

E O FOTÓGRAFO DESSE HISTÓRIA
QUE CUMPRIU A SUA SINA
DEIXOU O FATO REGISTRADO
ANTES DE IR LÁ PARA CIMA
ISSO AQUI É LITERATURA
FRUTO DE UMA CULTURA
A CULTURA NORDESTINA

- F I M -

criado por souzamcelso    11:49 — Arquivado em: Educação

23/11/07

Vaca na Cadeira

Reflexão sobre a missigenação cultural, e o resultado disso enquanto efervecência das culturas de massa do mundo globalizado.

Link: http://www.youtube.com/watch?v=lP8iXk2ad9M

 

criado por souzamcelso    12:41 — Arquivado em: Sem categoria

19/11/07

eu comigo mesmo

fotografia: Vitor Antunes

 

Hoje eu li, de um autor desconhecido, A LENDA DO MONGE E DO ESCORPIÃO, que se segue:

Monge e discípulos iam por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. O monge correu pela margem do rio, meteu-se na água e apanhou o bicho com a sua mão. Quando o trazia para fora, o escorpião picou-o e, devido à dor, o homem deixou-o cair novamente no rio. Foi então à margem, pegou num ramo de árvore, correu novamente pela margem, entrou no rio e salvou o escorpião. O monge juntou-se aos discípulos na estrada. Eles tinham assistido à cena e receberam-no perplexos e penalizados. Mestre, deve estar doente! Porque foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse! Seria um a menos! Veja como ele respondeu à sua ajuda! Picou a mão que o salvara! Não merecia sua compaixão!" O monge ouviu tranquilamente e respondeu: Ele agiu conforme a sua natureza, e eu de acordo com a minha.

Começo a pensar sobre a minha natureza, sobre mim mesmo, quem sou, em que acredito de fato? Sobre a desgraça, as tragédias, sempre acreditei que nada mais são que um bem para o meu aperfeiçoamento moral. Mas que moral é essa, essa minha? Talvez o filósofo tivesse razão, talvez seja isso mesmo, talvez não, as vezes isso me parece tão cristão que até me dá medo. Amo, penso que amo, mas quando chega a hora de perdoar, não consigo, então penso que não amo porque sempre achei que quem ama sempre perdoa, mas será isso uma verdade, ou só mais um dos meus devaneios tantos? Traí tantas vezes, tantas vezes fui injusto, desleal, cruel, vingativo, maquiavélico até. Quem trai, quem mente, quem se vinga, quem silencia os segredos no peito, quem não sai de si e se julga acima desse bem e desse mal, atropelando suas próprias crenças, pisando em cima dos seus próprios e podres valores, será esse um ser que de fato ama? Puro sentimento talvez, e o que parece é que, quando há muito sentimento, o óbvio é haver muita dor. Talvez eu não passe disso mesmo: pura dor. A medida do amor é não ter medida, e do ódio creio que também seja a mesma coisa. Dias atrás me disseram que sou um sonhador, talvez seja isso, um sonhador. Todo sonho é gratuito, esse pode ser o motivo, não preciso pagar para sonhar, mas para realizar meus sonhos… ah, aí tem um preço, e esse preço não é barato. Penso que as vezes faço de tudo para conquistar uma coisa ou um coração, o problema não consiste na conquista, o problema está em conservar isso que conquistei. Geralmente perco por não saber conservar, aprendi conquistar mas não aprendi manter. Preciso aprender a ficar calado para ser ouvido, mas antes disso, preciso me ouvir, aprender ouvir, preciso conhecer a mim mesmo antes de procurar conhecer outras pessoas e esperar que elas saibam quem sou eu. Tudo urge aparentemente, e quanto mais o tempo passa tenho a impressão que mais o tempo falta. Enquanto isso fico aqui, assim, abraçado com Fernando pessoa, por vários minutos lendo sempre a mesma coisa: “Nada sou, nada posso, nada sigo. Trago, por ilusão, meu ser comigo. Não compreendo compreender, nem sei / Se hei-de ser, sendo nada, o que serei”. Até quando, me pergunto, e nada de resposta. Então, fico aqui, assim, entre monjes e escorpiões, amando quem me fere, ferindo quem me ama. Enfim, fico assim, na inércia de mim mesmo, pensando sobre tudo isso, refletindo, procurando aqui e ali, dentro de mim, aquilo que possa de fato ser eu. Talvez nem monje nem escorpião, talvez seja só uma questão de aprender amar quem me ama e ignorar quem me fere. Para isso preciso me encontrar, ter esse desejo, e então, quando isso acontecer, o dia vai nascer, o brilho nos olhos voltará e eu enxergarei, podendo dizer: finalmente estou feliz novamente!!

criado por souzamcelso    12:26 — Arquivado em: Delirios

13/11/07

A DECADÊNCIA

Tece, amor, as grinaldas com que queres

Coroar o amor que nem sabemos ter,

Com brancas mãos em lento movimento

De papoulas e pobres malmequeres…

Tece-as para que ao menos o momento

Em que as teces nos possa pertencer.

 

Se para coroar o amor teces

Pensas no amor tecendo-as, e assim amas:

Se vendo-te, em ti vejo que o conheces

Amo contigo o amor em que tu pensas.

E um momento o amor queima as suas chamas

Na ara das nossas almas já pretensas.

 

Mas se a grinalda é feita, o amor cessou.

Se é preciso entre nós o gesto e o gozo

Nunca o pensado amor levanta o voo,

Nunca da nossa noite de sentir

Raiou o sol do alto, e o olhar cobiçou

Uma cousa real que vá fruir.

 

No sonho do que nunca pode haver

Entre nós, porque há em nós o pensamento

Gastamos o desejo sem o ter.

A taça cai do gesto mal seguro

Porque pensamos em beber, e o intento

Cansa o braço, e é entornado o néctar puro.

 

Viemos, meu amor, no fim da tarde.

O que há do sol é o que resta acima

Dos montes, poesia baça e sonho que arde,

E só por saudade os céus anima.

O nosso olhar não ousa olhar o outro

 

Outros tiveram por seu tempo o dia

Gozaram outros quando o sol era alto,

A vergonha que há em nós da sua orgia

É a vergonha de nós a não ousarmos.

Nós pensamos no amor em sobressalto

E para amarmos só nos falta amarmos.

 

Os deuses foram-se, e consigo foi

A clareza da alma para (com) a vida.

O que ontem era gozo, é o que hoje dói.

O que ontem era a cousa procurada

É hoje só a cousa apetecida,

Ainda desejada e não ousada.

 

(Fernando Pessoa - 1919)

criado por souzamcelso    11:40 — Arquivado em: Diversos

11/11/07

Folha de Londrina

"Com caráter inovador, a mostra visa apresentar ao público trabalhos que discutem temas variados, desde a apreensão da era digital até conflitos existenciais diversos. Para tanto, foi cuidadosamente preparada para favorecer o diálogo entre o publico e as obras apresentadas, fugindo do padrão convencional de telas avulsas espalhas por corredores onde o espectador é, muitas vezes, castrado de um contato mais profundo. A mostra INTER.AÇÃO inova também pela preocupação em favorecer uma proximidade lúdica entre a arte e a vida através do espaço expositivo, quase cotidiano. Por se tratar de poéticas digitais, a mostra busca não apenas a visitação do espaço, mas, também a navegação pelo espaço apresentado valendo-se de totens em vez de telas. Assim, o espectador pode manipular e personalizar a própria visitação, proporcionando um diálogo inédito e também necessário, tendo acesso à arte enquanto bem cultural inteligível."

 

http://www.bonde.com.br/canais/canaisd.php?oper=agenda&cat_id=4&dt=20071111&ancora_id=18152&cidade_id=56995

 

criado por souzamcelso    17:20 — Arquivado em: Educação

8/11/07

primavera 46

Então, fim do mês passado completei 46 anos. Acho que é a primeira vez que liguei meu aniversário à estação do ano, nunca havia pensado nisso antes. Nasci na primavera, achei isso muito bacana. Será que é por isso que gosto tão pouco do inverno? Creio que não vou jamais esquecer esse aniversário. No dia exato eu estava em São Paulo, solitário no meio daquela multidão de concreto, ferro e excitação. Pensei no concretismo, na racionalidade, na seriação e rebatimento. Prefiro o neo-concreto, mil vezes. Um calor terrível e um presente de aniversário pior ainda, mas nada que eu não desejasse muito. Mas, incrível como essa vida é, pois hoje aquela profunda dor de repente transformou-se, com a mesma intensidade, num imenso prazer. Do mesmo lugar, de alguém que conheço tão pouco ainda, recebi duas belíssimas obras literárias. O primeiro livro é um ensaio sobre arte moderna e contemporânea do autor Rodrigo Naves, o qual já venho estudando desde 1998. Um livro maravilhoso intitulado “O vento e o Moinho”, que é uma metáfora de uma carta de Van Gogh a seu irmão Theo, que fala da capacidade de formalização da natureza (o vento) por algo construído pelo homem (o moinho). O outro livro, “Poesia 1918-1930 – Fernando Pessoa”, acho que nem é preciso dizer nada. É o Fernando por ele mesmo, sem palavras… Isso me fez refletir novamente sobre morrer e renascer, como a Fênix. Uma punhalada nas costas, provocada, o tal do mal necessário, a morte… o fim!! Depois, um toque na alma, um choro emocionado, o sopro de vida, o brilho nos olhos novamente, outro recomeço, e isso é a base do processo desse ignorante no processo… Sempre!! Vida, essa aventura alucinante, tudo está tão diferente, o movimento, as vozes, o ar, enfim, tudo novo outra vez, outra primavera, outras flores.

PESSOA, Fernando, 1888-1935.
POESIA, 1918-1930 / Fernando Pessoa. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

NAVES, Rodrigo. O vento e o Moinho: ensaios sobre arte moderna e contemporânea. São Paulo: Cia das Letras, 2007.

criado por souzamcelso    16:44 — Arquivado em: Delirios

abandono

 

Me deixe, então me terá para sempre. Isso provavelmente signifique que eu nada sou além de puro abandono. Geralmente as pessoas, a maioria delas, por carência ou hábito, sei lá, não conseguem viver o abandono. Hoje alguém me disse que se sentia totalmente abandonada, que isso é apavorante, eu não acho, muito pelo contrário, isso significa aprofundamento, busca de si, auto-conhecimento. O que é o homem afinal senão puro abandono? Essa sensação é, portanto, sentir-se na essência, tocar no “eu”. Acho isso maravilhoso, falei isso a ela e então percebi a mudança, um sorriso brotou dos seus lábios, um brilho de vida faiscou dos seus olhos. Ela se foi, talvez volte, talvez não, mas isso não importa. Me recordo de um desenho, do meu amigo André, um ser em nanquim, totalmente abandonado, jogado no mundo. O título do trabalho é “Órfão”, aquela imagem nunca saiu da minha cabeça. Me vi ali, jogado no mundo, totalmente órfão, apesar de todas as outras pessoas. Entendi o que eu era, assumi isso. Se vivo com alguém, esse alguém, apesar da minha presença, as vezes não me sente, a não ser quando nossos abandonos se misturam, quando nossas solidões se juntam. Depois disso nos jogamos novamente no mundo, nos afastamos, nos ausentamos. Poucas pessoas, creio, conseguirão viver isso para sempre, até a morte. A maioria não entende, se entregam a carência, a força do hábito, as coisas do mundo, sobre prazer e dor. As pessoas sentem medo, se apavoram diante da imensidão que é esse abandono, não percebem a beleza disso, morrem em vida, vagam sem rumo porque acham que deve existir um rumo, uma estrada, um lugar para chegar. Saem de si, se prostituem, profanam-se, por medo, medo medonho do desconhecido e imenso ser que é o homem, que é ele mesmo. Quem se candidata a viver o “não-viver”? Quem se candidata a ter-me para sempre me deixando? Quem não tem medo? Quem não precisa de carne ou lugar para chegar? Quem vai me amar e deixar se amada até o fim das nossas solidões, dos nossos abandonos? Quem será?

criado por souzamcelso    12:28 — Arquivado em: Delirios

5/11/07

parápa parápa pará pá pá…

 

 

…NÓIS CUS ALEMÃO VAMU SI DIVERTÍ…

 

Educação de Elite

Ass. Estado Mínimo

criado por souzamcelso    18:49 — Arquivado em: Educação

poesia de bar

NÃO VENDEMOS FIADO

NÃO INSISTA

PROIBIDO PARA MENORES DE 18 ANOS

JOGAR SINUCA

SEM SER
CONVIDADO
NÃO ADENTRE

O BALCÃO

WC

FECHE A PORTA

URINE SOMENTE

NO VASO

A DIREÇÃO

 

criado por souzamcelso    18:41 — Arquivado em: Delirios

4/11/07

inter ação poéticas digitais em londrina

Mostra de Arte Digital em Londrina. Organizado pelo Artista Plástico Tadheo Amélio. Veja no meu Album no Orkut todos os participantes dessa mostra.

http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=13188682725030474995

 

 

criado por souzamcelso    11:02 — Arquivado em: Sem categoria
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